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Teresa Guilherme: “Se quiser posso não fazer mais nada”

Apresentadora lamenta não poder contar com alguns nomes e explica o que leva os famosos a aceitar o desafio de participar no reality show que mudou a televisão.

– Regressa 13 anos depois da primeira edição do ‘Big Brother’. Não se sente a voltar ao passado?

– A minha preocupação é que as pessoas não tenham regressado ao passado. Eu própria tive de refrescar a memória. Já não temos bem ideia do ‘Big Brother’ (‘BB’) porque o confundimos com a ‘Casa dos Segredos’.


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– E porquê com famosos?

– Com os famosos, toda a gente já tem uma ideia formada sobre eles… há sempre um preconceito, o que os torna diferentes dos anónimos, que são uma página em branco. Os famosos têm um historial, e as pessoas vão confirmar, ou não, a opinião que tinham sobre eles.

– E há preconceito entre eles?

– Sim. Uma das coisas engraçadas é que todas as pessoas que foram contactadas para entrar apontaram nomes de pessoas que não gostavam de encontrar na ‘casa’, e havia um nome comum a todas…

– José Castelo Branco?

– Não posso comentar… os nomes que surgiram davam para fazer quatro casas. Mas é sempre um tiro no escuro. As pessoas quando entram na ‘casa’ passam a ter comportamentos diferentes.

– Em que é que o ‘BB’ é diferente da ‘Casa’?

– Há montes de diferenças. Não existe a ‘Voz’, missões ou segredos. Os concorrentes não precisam de desconfiar uns dos outros, ou seja, estão a falar a verdade. No ‘BB’ a competição é por regalias. Outra diferença é que no ‘BB’ não há um elenco fechado, há a possibilidade de haver trocas. Há muitas regras que fazem toda a diferença…

– De qual gosta mais?

– Estou entusiasmada por fazer o ‘BB’. Se preferia que fossem anónimos? Sim.

– O que leva famosos a aceitar entrar nestes programas?

– É um bom negócio. As pessoas não estão muito interessadas no prémio, até porque só um é que o ganha, mas essencialmente na visibilidade. Não há nada melhor do que aparecer na TV para depois vender trabalho.

– Esta edição vai ter o mesmo sucesso das anteriores?

– Faço o melhor que posso, o resultado logo se verá.

– Faria sentido o ‘BB’ voltar com outro apresentador?

– Os programas podem ser apresentados por qualquer pessoa…

– Mas há apresentadores com mais perfil…

– Sim, o apresentador tem de ter mão nos concorrentes, porque pessoas fechadas dentro de uma casa durante algum tempo têm uma espécie de loucura própria. Tem de ser uma pessoa com experiência.

– E quem poderia ser…

– A Cristina [Ferreira], daqui a dois ou três anos, está perfeita… o Manuel Luís [Goucha] poderia apresentar um ‘BB’… a Iva [Domingues] tem criado experiência… e estou só a falar de pessoas da TVI. É uma questão de tentar. Ninguém terá o meu estilo, mas eu também não terei o estilo das outras pessoas.

– O que mudou na sua forma de trabalhar?

– É igual… levado à loucura da loucura. Ver tudo, ler tudo, inventar todas as possibilidades e tentar que os domingos [galas] sejam informativos e que a história ande para a frente. A preparação é a mesma, é a minha maneira de ser. Sempre disse que os programas vivem dos concorrentes e não dos apresentadores.

– Não acha que ajuda a vender o formato?

– Acho que sim, porque criei um estilo. Mas aquela história de que o cemitério está cheio de gente imprescindível não faz sentido. Agora estou entusiasmada e, se calhar, até tenho aquela ilusão, porque sou uma romântica, de que vou voltar a encontrar a paixão que tinha antes. O ‘BB’ sempre foi uma aventura para mim. A ‘Casa dos Segredos’ é um trabalho, o ‘Big Brother’ uma paixão.

– Está satisfeita com o lote de concorrentes?

– Não está fechado e nem vai estar no momento em que eles entrarem na ‘casa’ porque as coisas podem mudar…

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– Mas já tem uma ideia…

– Há nomes fechados e outros apalavrados. Há pessoas que não vão estar que tenho pena, ou porque não podem ou porque não reuniram consenso…

– Alguém em especial?

– Já disse que adorava ter lá o Sr. Fernando [pai de Fanny] e o Telmo [do primeiro ‘BB’]…

– Que nomes terá?

– Não posso dizer…

– Que influência tem?

– Tenho uma palavra a dizer, mas não é a última.

– O ‘BB’ sentiu a crise?

– Não há desperdício de dinheiro… e os cachets não são iguais ao que eram. Está tudo adaptado ao seu tempo, mas não quer dizer que o programa seja menos bom. Ainda não ouvi dizer que não se podia fazer alguma coisa por não haver dinheiro.

– Também teve de se adaptar?

– Ganho o mesmo que ganhava. E nem discuti valores.

– É este o programa que vai recuperar a liderança da TVI no horário nobre?

– A TVI não perdeu a liderança. Não ganha é ao ‘Dancin’ Days’. Mas ganha o dia todo.

– A SIC afirma que ganha o horário nobre…

– De há quantos meses para cá? Quando lá estava a ‘Casa dos Segredos’, não ganhava… Isso é absolutamente mentira. A margem da TVI continua a ser confortável. ‘Dancin’ Days’ é um produto forte e difícil de bater. Mas isto não são as manhãs da SIC, que faz 14%, e as da TVI mais de 30%… disso eles não falam.

– Qual o objetivo?

– O importante vai ser perder por uma margem pequena e, de vez em quando, ganhar. Mas a SIC tem a noção que não tem outro produto assim. Há quanto tempo é que o ‘Dancin’ Days’ era para acabar? É sinal que não têm mais nada para lá meter. Essa converseta de que a SIC está a ganhar… nunca a TVI teve uma margem tão confortável de manobra. No horário nobre, de facto, está lá um obstáculo. É o ‘BB’ que o vai ultrapassar? Não acredito.

– Júlia Pinheiro [que apresentará ‘Splash’ ao domingo] tem hipótese de lhe ganhar?

– Nem eu tenho hipóteses de ganhar à Júlia, nem a Júlia tem hipóteses de me ganhar a mim.

– O ‘Splash’ tem hipóteses de ganhar ao ‘Big Brother’?

– Há pessoas que gostam de mim, e há outras que gostam da Júlia. E há pessoas que gostam das duas, que é a maior parte. Portanto, vão espreitar os programas e ficar no que lhes apetecer.

– O que lhe parece o ‘Splash’?

– Não percebi porque é que é tão interessante. Parece-me muito repetitivo, esgota-se em poucos programas. E tem outra desvantagem que é ser gravado. Falta a emoção do direto. Mas faz sucesso para todos os países para onde vai. Aqui também fará, mas não faço ideia por quanto tempo. Quanto à Júlia, eu tenho o meu lugar, ela tem o dela.

– Que avaliação faz da Júlia Pinheiro nas manhãs da SIC?

– Não faço ideia porque é que ela continua a perder. Sei que este programa faz menos do que quando era apresentado antes pela Rita Ferro Rodrigues, o que é estranho.

– Nas suas palavras, o ‘Querida Júlia’ é o estilo da Júlia Pinheiro…

– Durante anos, a Júlia apresentou programas da manhã e tarde muito bem. Criou um estilo.

– As coisas mudaram?

– Não sei. É difícil abalar o Manuel [Luís Goucha] e a Cristina [Ferreira]. Mas com todo o aparato que se fez quando ela se mudou [da TVI para a SIC]… foi a montanha que pariu um rato.

– Mas antes concorrerá com o ‘Vale Tudo’. O que acha do João Manzarra?

– Gosto imenso do Manzarra, mas não me faz alguma impressão ele estar preso atrás de uma bancada.

– Com todos os desentendimentos que tem tido com a direção da SIC…

– Estamos a falar do Luís Marques [administrador ] ou da Júlia?

– Dos dois.

– Não vamos misturar os dois no mesmo saco. Não tenho nada contra a Júlia. Conheço-a há muitos anos, respeito-a enquanto profissional, tem o seu espaço, imensos fãs e criou um estilo. E, se não o tivesse, não estava cá há tantos anos…

– Algum dia vai regressar à SIC?

– Não faço ideia. O que faço para a TVI agrada-me, estou lá bem. Não sei. Amanhã é outro dia.

– Já esqueceu a intenção de ter projetos no Brasil?

– Não esqueci, nem vou esquecer. Continua a ser uma possibilidade para trabalhar ou para viver.

– Ficar em Portugal significa estar dependente de um convite da TVI?

– Sei fazer muitas coisas, não é por aí. E se quiser posso não fazer mais nada. Sou velha, trabalho há ‘bué’ [risos]. Também posso ter a ambição de ser a apresentadora que dura mais tempo em antena, até aos 80 anos, como nos EUA. Quem sabe se não sou eu. Quem diria, há 13 anos, que iria estar novamente no ‘BB’? Nem eu, nem ninguém.

REGRESSO CANCELADO

Estava previsto que Teresa Guilherme voltasse aos palcos em março. No entanto, a apresentadora teve de cancelar os planos. “A minha mãe foi operada à coluna, o que abalou as minhas convicções, e depois juntou-se o ‘Big Brother’ e tive de descartar o teatro. Mas tive um desgosto imenso”, explica.

PROJETO ADIADO

Teresa Guilherme acredita que, apesar das dificuldades financeiras que o mercado atravessa, “não se nota falta de dinheiro” nos canais portugueses em sinal aberto. Ainda assim, diz, “o futuro é o Cabo”. Nesse sentido, acredita que um dia terá um canal seu. “Tenho capacidade para ter um canal no momento em que haja o mínimo de condições de dinheiro”, afirma a apresentadora.

PERFIL

experiência Nascida em Junho de 1955, é das mais experientes apresentadoras de TV. Aparece em 1991 em‘Eterno Feminino’. Depois, em ‘Olha Que Dois’, ‘Não Se Esqueça da Escova de Dentes’, ‘Big Brother’ e ‘Casa dos Segredos’, entre outros. É também produtora e atriz.