Velhos Tempos

Festival da Canção: A história Completa Parte I

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Artigo escrito por Hugo Silva do Ainda Sou do Tempo Blog

O festival da canção era daqueles programas que reunia a família toda em redor do televisor, aqui no Dioguinho vamos fazer 3 artigos a abordar os diversos períodos do certame, sendo que neste abordaremos tudo desde o começo até os anos 80.

Foi a 2 de Fevereiro de 1964 que se realizou nos estúdios do Lumiar a primeira edição do Grande Prémio TV da Canção Portuguesa, que ajudaria a escolher o representante de Portugal para o festival da Eurovisão da Canção criado em 1956 e que iria assim ter pela primeira vez um representante português.

Foram 127 as canções submetidas, tendo ido 12 a este grande prémio e foi António Calvário com a sua Oração a vencer e ultrapassar nomes como Artur Garcia, Madalena Inglesias e Simone de Oliveira entre outros. Até 1975 o programa manteve este nome, tendo em 1976 adoptado o nome de Uma Canção para a Europa, em 1977 ficou conhecido como “Sete Canções”, no ano de 1978 ficou “Uma Canção Portuguesa” e foi em 1979 que ficou finalmente como o Festival RTP da canção.

As primeiras edições foram apresentadas por Henrique Mendes, que em algumas ocasiões apareceu com uma parceira do seu lado, em 1964 foi Maria Helena e em 68 Maria Fernanda, em 1969 foi Lourdes Norberto a apresentar sozinha este evento, voltando em 1971 ao sistema de dupla de apresentadores, que teve nomes como Carlos Cruz, Herman José, Artur Agostinho, Nicolau Breyner, Alice Cruz, Ana Zanatti e Eládio Clímaco entre outros.

Nas primeiras duas edições ainda a imprensa não dava muita atenção a este certame, a publicidade era feita em cima da hora e passava quase despercebido para os telespectadores. O facto de não ter corrido nada bem nem a Calvário nem a Simone de Oliveira (que foi em 65 com a música Sol de Inverno), não ajudou à coisa e começou também a perceber-se o problema que eram os votos entre países vizinhos e o compadrio dos bastidores da Eurovisão.

A Salazar não interessava muito nem o jogo de bastidores nem que Portugal fosse longe, a vitória implicava algum investimento e promoção turística do país, algo que ao ditador não convinha. Mas a RTP e os compositores envolvidos esmeravam-se na coisa, em 66 Madalena Inglesias fez sucesso lá fora com a sua beleza e as suas indumentária, para além de que “Ele e Ela” era uma canção muito mais animada do que as suas antecessoras.

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As publicações Flama e Século começavam cada vez mais a embrenhar-se na promoção do evento, enquanto que a RTP modernizava as coisas de ano para ano e foram aumentando cada vez mais o leque de participantes. Simone de Olveira repetiu a sua participação, desta vez com uma música fantástica e uma letra muito forte para a altura e Desfolhada não desiludiu tendo sido considerado na Europa como uma vencedora moral, e que se o país fosse outro seria aquela a música ganhadora. Por causa disso mesmo a RTP decidiu não participar em 1970, como protesto contra todos esses compadrios.

Carlos Mendes foi outro repetente, ido em 68 e 72 com “verão” e “festa da vida”, tendo conseguido maiores elogios com a segunda participação, apesar de em ambas não ter alcançado grande classificação. Nos anos 70 começaram a ficar mais políticas as letras, e em 1973 e 1974 isso ficou bem evidente com a Tourada de Fernando Todo e o Depois do Adeus de Paulo de Carvalho.

Já era obrigatório o vídeo a servir de cartão-de-visita para a canção e país participante, e por isso muitos defendiam que Portugal devia continuar a concorrer, apesar da imprensa por cá duvidar dessa necessidade, já que a nossa qualidade poética não era entendida pelo resto da Europa. Isso ficou patente na edição de 1976, considerada uma das melhores em matéria de poesia e qualidade musical, isto apesar de ter sido só um cantor a interpretar todos esses temas. Carlos do Carmo cumpriu esse papel com grande classe, mas lá fora não teve muita sorte e o que todos previam voltou a suceder.

Até 1980 a qualidade das nossas participações caiu muito, e os números alcançados lá fora também, mas isso viria a mudar com a estreia da primeira edição do festival RTP da canção a cores, mas isso fica para o próximo artigo.

Para terminar recordo apenas algumas das músicas que participaram no festival da canção neste período aqui descrito, que não venceram mas tornaram-se tão ou mais conhecidas que as vencedoras. Flor sem tempo e Cavalo à Solta (de Carlos do Carmo e Fernando Tordo respectivamente) em 1971, É Por isso que eu Canto de Paco Bandeira em 73, No dia em que o Rei fez anos dos Green Windows em 1974, No teu Poema de Carlos do Carmo em 76 e Zé Brasileiro Português de Braga da Alexandra em 1979.

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