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Joana Amaral Dias quebra silêncio na morte do seu pai «Incompetência»!

Joana Amaral Dias esteve na SIC Notícias para falar nos contornos estranhos em que resultou a morte do seu pai, Carlos Amaral Dias, psicanalista de 73 anos.


Se os impostos que pagamos não servem para acudir em situações limite, para que é que servem? Para salvar bancos? O meu pai sentiu-se mal às 9 da manhã. A ambulância foi chamada às 9.09 e, todavia, Carlos Amaral Dias só chegou ao hospital já passava das 11. Ja sem vida. Mais de duas horas depois. 💔🖤 Reparem que o trajecto da sua residência ao São José é bastante curto. O que aconteceu foi um cocktail fatal de acidentes, negligência e incompetência. Houve uma ambulância que avariou, mas também se verificaram demoras e a chegada do carro do Inem só com um técnico e sem o equipamento de reanimação como a situação estritamente ditava. O resultado foi a morte. Pedimos autópsia e o Inem abriu um inquérito. Aguardamos os resultados. E se isto pode acontecer com um homem de 73 anos a viver no centro de Lisboa, pode suceder a qualquer um de 20 ou 30, em Viseu ou em Faro ou no interior desertificado. Pode acontecer a qualquer um, vivemos num país que cortou no essencial, deixou a gordura e talhou o osso, deixando as populações vulneráveis, desprotegidas e entregues à sua sorte.


Pode acontecer-te a ti.Verdade que o meu pai era um doente com diversas patologias graves cuja expectativa de vida era já limitada. Mas certamente merecia ter partido em paz e com outra tranquilidade, com a mão segura pelos que amava, com os olhos postos nos que tinha. Foi estudante de medicina em Coimbra. Esteve na crise de 69. Foi preso pela PIDE. Os meus pais tiveram uma espia em casa, a minha mãe também foi detida grávida do meu irmão. Lutaram pelos direitos de todos. Já médico, teve que ir para Angola fazer uma guerra que abominava. Depois, em Coimbra, deu os seus melhores anos ao serviço nacional de saúde no qual deixou talento e pele. Morreu sozinho em agonia dentro de uma ambulância que não dispunha dos meios para o acudir. Que a sua partida sirva para que todos nós e finalmente rejeitemos este futuro. No meu facebook encontram o comentário completo. Profundamente grata pelo vosso apoio 🙏🏼”


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Se os impostos que pagamos não servem para acudir em situações limite, para que é que servem? Para salvar bancos? O meu pai sentiu-se mal às 9 da manhã. A ambulância foi chamada às 9.09 e, todavia, Carlos Amaral Dias só chegou ao hospital já passava das 11. Ja sem vida. Mais de duas horas depois. 💔🖤 Reparem que o trajecto da sua residência ao São José é bastante curto. O que aconteceu foi um cocktail fatal de acidentes, negligência e incompetência. Houve uma ambulância que avariou, mas também se verificaram demoras e a chegada do carro do Inem só com um técnico e sem o equipamento de reanimação como a situação estritamente ditava. O resultado foi a morte. Pedimos autópsia e o Inem abriu um inquérito. Aguardamos os resultados. E se isto pode acontecer com um homem de 73 anos a viver no centro de Lisboa, pode suceder a qualquer um de 20 ou 30, em Viseu ou em Faro ou no interior desertificado. Pode acontecer a qualquer um, vivemos num país que cortou no essencial, deixou a gordura e talhou o osso, deixando as populações vulneráveis, desprotegidas e entregues à sua sorte. Pode acontecer-te a ti. Verdade que o meu pai era um doente com diversas patologias graves cuja expectativa de vida era já limitada. Mas certamente merecia ter partido em paz e com outra tranquilidade, com a mão segura pelos que amava, com os olhos postos nos que tinha. Foi estudante de medicina em Coimbra. Esteve na crise de 69. Foi preso pela PIDE. Os meus pais tiveram uma espia em casa, a minha mãe também foi detida grávida do meu irmão. Lutaram pelos direitos de todos. Já médico, teve que ir para Angola fazer uma guerra que abominava. Depois, em Coimbra, deu os seus melhores anos ao serviço nacional de saúde no qual deixou talento e pele. Morreu sozinho em agonia dentro de uma ambulância que não dispunha dos meios para o acudir. Que a sua partida sirva para que todos nós e finalmente rejeitemos este futuro. No meu facebook encontram o comentário completo. Profundamente grata pelo vosso apoio 🙏🏼

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