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Ângelo Rodrigues leva tampa na Jordânia: “Engoli em seco e despedi-me”

Ângelo Rodrigues continua em viagem e a partilhar tudo com os seus seguidores. Este Domingo publicou um extenso texto para referir que levou uma valente tampa.


“À minha frente estão sentadas quatro mulheres parcialmente cobertas por um véu. Sorriem alegres enquanto poluem o ar com névoas de fumo. Estão a fumar shisha, ou “argilah” como aqui lhe chamam. Curioso que, no imaginário ocidental, as olhemos como matrioskas aprisionadas numa cultura exclusivamente patriarcal. Penso na raíz do meu preconceito e todo o meu raciocínio converge numa só palavra: ignorância“, começou por escrever.

“Três miúdas, parcialmente tapadas, perguntaram-me se tinha Instagram. Uma delas diz que é fotógrafa e pergunta-me se é possível fazer-me alguns retratos. Aceito. Resultado: 6 minutos de puro constrangimento meu, ao acatar algumas indicações enquanto ela balbuciava alguns monossílabos em inglês“


Ele queria uma fotografia, mas… “Dizem-me que apenas podem tirar fotos com parentes e que um registo publicado comigo poderia ser ofensivo para a família delas. Engoli em seco e despedi-me“,

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(1/2) À minha frente estão sentadas quatro mulheres parcialmente cobertas por um véu. Sorriem alegres enquanto poluem o ar com névoas de fumo. Estão a fumar shisha, ou “argilah” como aqui lhe chamam. O mundo pausa quando sopram aquela mistura de tabaco com sabor. • Escrevo-vos do Jafra Cafe, um lugar onde locais se reúnem em tertúlias animadas. Devo ser o único forasteiro aqui. A quantidade de mulheres sorridentes contrasta com a negritude das suas vestes. • Curioso que, no imaginário ocidental, as olhemos como matrioskas aprisionadas numa cultura exclusivamente patriarcal. Penso na raíz do meu preconceito e todo o meu raciocínio converge numa só palavra: ignorância. • Aqui as regras são diferentes: as mais velhas cobrem o rosto compenetrado como se estivessem a esconder-me um segredo, mas as mais novas parecem questionar as convenções. • Vim agora mesmo do Duke’s Diwan, um prédio centenário no coração de Amman onde poetas, artistas e pensadores se reuniam antigamente. Ali é possível sentir a idade dos livros pelo cheiro. • Estava imerso nos meus pensamentos quando senti uma certa agitação. Três miúdas, parcialmente tapadas, perguntaram-me se tinha Instagram. Reviro os olhos por dentro porque adivinho os próximos minutos. Cria-se um desnível imediato na nossa interação ao observar um infundado entusiasmo nelas com o meu perfil. Uma delas diz que é fotógrafa e pergunta-me se é possível fazer-me alguns retratos. Aceito. Resultado: 6 minutos de puro constrangimento meu, ao acatar algumas indicações enquanto ela balbuciava alguns monossílabos em inglês. • Peço no final para se sentarem ao mesmo lado e selarmos aquele encontro com uma fotografia. Sinto que a expressão delas endurece quando se entreolham. Dizem-me que apenas podem tirar fotos com parentes e que um registo publicado comigo poderia ser ofensivo para a família delas. Engoli em seco e despedi-me. • Apesar de toda esta jovialidade aparentemente inconsequente, há valores enraizados que as colocam ainda a anos luz de valores de género igualitários. No entanto, senti aqui um vislumbre do futuro. Sei que as coisas mudarão. Lentamente, mas mudarão. • #travel #wanderlust #backpacker #solotravel #jordan

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