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Actriz Maria João Luís recorda tragédia que matou 30 familiares

Maria João Luís esteve à conversa com Manuel Luís Goucha para para apresentar uma nova peça de teatro, ‘Ermelinda Rio’, texto de João Monge, que recorda a tragédia das cheias do Ribatejo, em 1967.


Esta tragédia tocou à actriz porque perdeu cerca de 30 familiares. Ela não se lembra de muita coisa porque tinha apenas 3 anos, mas nunca mais desapareceu o cheiro.

Eu tinha três anos, estava a fazer os quatro em dezembro, e lembro-me de ter ficado num quarto logo. Vivia em Alhandra, numa zona alta de Alhandra, portanto, não passamos por isto. Mas quando se começou a saber das cheias, as pessoas falavam de uma onda. Devia ser realmente uma onda que já vinha depois carregada com lixo e os detritos todos, que arrasou tudo por onde passou“, começou por dizer.


A minha mãe falava-me de 30 pessoas da minha família que tinham desaparecido. Foram sendo encontrados mortos depois. Foi uma catástrofes. Não tenho memórias. A única memória que tenho é de estar fechada dentro de um quarto onde iam umas tias ter comigo de volta e meia, davam-me de comer e os gritos. Esses nunca mais saíram da minha cabeça. Nem os gritos, nem o cheiro“, recorda.

Recorda ainda assim um momento em particular, “O meu pai esteve três dias com a cabeça entre as mãos, na sala. Cada vez que passava para ir à casa de banho via o meu pai na mesma posição. E as pessoas que iam chegando a casa em gritos, primeiro a dizer o que se tinha passado e depois a dizer que se tinham encontrado os corpos”, conta.

A peça de teatro leva a atriz a viajar no tempo e lembrar este momento que marcou a sua infância.


Entrevista completa aqui.

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