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Rui Zink escreveu texto fantástico e Nuno Markl ilustrou

Rui Zink fez um texto fantástico dedicado ao José Pedro Gomes e António Feio. Nuno Markl ficou emocionado e sentiu a necessidade de ilustrar o momento.

O fantástico texto UMA ORAÇÃO do Rui Zink, sobre um encontro fugaz, noutro lugar, entre o Zé Pedro Gomes (que continua em estado de coma induzido) e o António Feio, emocionou-me tanto que tive de o transformar numa ilustração. Posso não ser grande artista plástico ou gráfico, mas depois de ouvir as vozes dos dois nas palavras do Zink tive de tornar a conversa mais “palpável”. E sim, o Zé Pedro está a despedir-se do António, porque ainda tem coisas para fazer cá“, escreveu o Nuno Markl

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UMA ORAÇÃO

José Pedro Gomes continua em “coma induzido”. Diz a lenda que, nesse estado, podemos comunicar com os amigos desaparecidos. E não é difícil imaginar as divertidas conversas de José Pedro com António Feio. “Tinha tantas saudades tuas, pá!”
“Eu também, mas a ti tenho-te visto. No teatro, na televisão…”
“Aqui também há televisão?”
“Não. Mas vemos tudo, lembra-te. É uma das poucas vantagens de se estar morto. Até Benfica TV temos à borla.”
E José Pedro: “Porreiro. Acho que vou gostar disto.”
E é aqui que António Feio finge arreliar-se e admoesta o amigo de sempre. “Estás parvo, ainda tens mais um par de peças para fazer, a Luísa Costa Gomes está a escrever-te uma em que interpretas não doze, mas 176 personagens e tudo numa hora, era para ser surpresa, o casino já tem a data reservada e tudo…”
“A sério?”
“A sério, pá, então eu ia mentir-te? Somos amigos há quanto tempo? Quantos Inoxes fizemos? E o Molero?”
“O Molero… Foi a primeira vez que passaste a encenador, salvo erro. E também actuavas.”
“Mas deixei-te fazer o brilharete todo. As palmas eram quase todas para ti.”
“Eu sei. Ficaste zangado?”
Aqui António Feio irrita-me mesmo. Ou finge:
“Ó meu artolas, mas quando é que eu me zanguei contigo? Fiquei feliz, sim. E orgulhoso. Por ti. Por nós. É por isso é que tens de voltar lá para baixo.”
“Mas eu… Eu queria ficar aqui mais um bocadinho a falar cont…”
“OK, mas daqui a pouco andor, tá? Há gente a torcer por ti, não lhes vais fazer a desfeita.”
“Uma peça em que eu faço 176 personagens, dizes?”
“Mais coisa menos coisa, sim.”
“Numa hora?”
“Sim, sim. Agora vê lá se acordas.”

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