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Há machismo dos dois lados desta rede de Volley

É sem dúvida a foto dos Jogos Olímpicos de Verão de 2016, no Brasil. Vista por milhões de pessoas é uma foto que representa duas atletas, dois países, duas culturas, um desporto, o machismo.

Os jogos olímpicos prezam pela integração, pela mistura de culturas, por um campo de jogo com normas comuns. Nem as religiões, nem as políticas conseguem atingir estes objectivos.



Nesta foto, há machismo dos dois lados da rede. Há machismo e opressão à esquerda, onde uma mulher é obrigada por uma religião a tapar-se até às orelhas enquanto pratica desporto. Para ela é normal porque assim diz a sua cultura. Não se sente culpável, nem oprimida e é provável que se queira vestir assim e até que seja a mulher mais feliz do (seu) mundo. Está educada para isso e quem ganha é a sua cultura.

Mas toda a sua roupa parece ser mais desconfortável mover-se e tem de ser extremamente quente. Ou seja, já entre no campo em desvantagem só por ser uma mulher muçulmana.

Duelo de culturas nos Jogos Olímpicos do Brasil

A mulher da direita também tem altas doses de machismo. Não as vês? É provável que a alemã também se sinta cómoda assim vestida. Foi educada para isso, numa sociedade que vê tais trajes tão curtos como normais. Já reparaste que quando procuras no Google “volleyball feminino” só te aparecem rabos e se fazes o mesmo para o masculino, isso já não acontece?

Se fosse por comodidade, os homens também jogavam de tanga… mas na verdade jogam com roupas leves e cómodas.

Até 2012, a prática deste desporto, pelas mulheres, tinha de ser obrigatoriamente feito em bikini, mas isso mudou, para também poder ser jogado por mulheres de outras culturas, como as muçulmanas.



Na verdade não há liberdade em nenhuma destas mulheres, seja em que lado estiver da rede de Volley. A uma mulher obrigamos a que vista uma burka, à outra que ande quase nua. As duas partilham um falso sentimento de liberdade, que é medida por centímetros de roupa e que não devia ser assim. Para não falar dos ordenados diferentes, da visibilidade diferente e dos prémios diferentes.

Artigo de opinião adaptado de El Ventano